Onda de calor exige atenção à saúde e pode agravar doenças crônicas
Temperaturas elevadas aumentam o risco de desidratação, exaustão térmica e complicações cardiovasculares, renais e respiratórias
A previsão de temperaturas acima da média e de maior frequência de eventos climáticos extremos durante o fenômeno El Niño 2026–2027 reforça a necessidade de atenção aos impactos do calor sobre a saúde. Além de favorecer quadros de desidratação, exaustão térmica e mal-estar, a exposição prolongada a temperaturas elevadas pode aumentar a sobrecarga cardiovascular e renal, agravar doenças respiratórias e neurológicas e, em casos mais graves, evoluir para golpe de calor, uma emergência médica potencialmente fatal.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que aproximadamente 489 mil mortes por ano tenham sido relacionadas ao calor entre 2000 e 2019. Entre pessoas com mais de 65 anos, a mortalidade associada às altas temperaturas aumentou cerca de 85% na comparação entre os períodos de 2000–2004 e 2017–2021.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) também alerta que ocorrência do fenômeno El Niño pode intensificar eventos climáticos extremos, como ondas de calor, períodos de secas, incêndios florestais, chuvas intensas e inundações. Esses eventos podem resultar em impactos significativos para a saúde da população, incluindo aumento de doenças relacionadas ao calor, agravamento de condições respiratórias e maior risco de doenças transmitidas por vetores, pela água e por alimentos contaminados.
Segundo o cardiologista cooperado da Unimed-BH, Henrique Patrus Mundim, pessoas com hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca e outras doenças cardiovasculares devem redobrar os cuidados. Os tratamentos não devem ser interrompidos ou alterados sem orientação médica. “Durante o calor intenso, o organismo aumenta a frequência cardíaca e dilata os vasos sanguíneos para controlar a temperatura. Ao mesmo tempo, a transpiração provoca perda de líquidos e sais minerais. Essa combinação pode causar queda de pressão, palpitações, tontura e desmaio, além de descompensar quadros de hipertensão, arritmia e insuficiência cardíaca. Dor no peito, falta de ar, perda de consciência ou palpitação persistente exigem avaliação médica”, explica.
Os efeitos da desidratação também alcançam os rins. A perda excessiva de líquidos reduz o fluxo sanguíneo renal e aumenta a concentração da urina, favorecendo a cálculos renais. Em casos mais graves, a combinação de desidratação, queda da pressão e elevação da temperatura corporal pode provocar lesão renal aguda.
Por isso, a ingestão de líquidos deve ser frequente. Pessoas com doença renal, insuficiência cardíaca ou restrição hídrica, no entanto, precisam seguir as orientações do profissional responsável pelo tratamento.
Grupos mais vulneráveis
Embora toda a população esteja suscetível aos impactos das condições climáticas extremas, alguns grupos apresentam maior vulnerabilidade e risco de complicações, incluindo crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao ambiente externo e indivíduos que residem ou permanecem em locais com ventilação inadequada.
Nos idosos, a percepção de sede pode estar reduzida, fazendo com que a desidratação avance sem que haja uma sensação intensa de necessidade de beber água. Dificuldade de locomoção, demência, isolamento social e uso de vários medicamentos simultâneos também aumentam a vulnerabilidade. Bebês e crianças pequenas, por sua vez, apresentam menor capacidade de regular a temperatura corporal e dependem dos adultos para receber líquidos e permanecer em locais frescos.
O especialista em clínica médica cooperado da Unimed-BH, Último Libânio da Costa, explica que esses dois grupos exigem acompanhamento mais próximo. “Crianças e idosos são mais vulneráveis ao calor porque apresentam menor capacidade de regular a temperatura corporal. Nas crianças, a desidratação pode evoluir rapidamente; já os idosos podem sentir menos sede e demorar a perceber que precisam ingerir líquidos. Familiares e cuidadores devem observar boca seca, fraqueza, tontura, sonolência, irritabilidade, confusão mental e redução da quantidade de urina. A oferta de água deve ser frequente, mesmo sem que a pessoa peça, desde que não exista restrição médica ao consumo de líquidos”.
Calor também afeta a respiração e sistema neurológico
Além de afetar o coração e os rins, as altas temperaturas podem coincidir com baixa umidade, aumento da poluição e fumaça de queimadas. Essa combinação irrita as vias aéreas e pode agravar asma, rinite, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica.
Falta de ar intensa, chiado persistente, dificuldade para falar, dor no peito e coloração arroxeada nos lábios exigem avaliação médica. Pessoas com doenças respiratórias devem manter o tratamento prescrito e evitar exposição à fumaça, poeira e atividades físicas intensas nos horários mais quentes.
O uso de medicamentos também merece atenção. Diuréticos, anti-hipertensivos, psicotrópicos e outros tratamentos podem interferir na pressão, na hidratação ou na regulação da temperatura corporal. Isso não significa, entretanto, que devam ser interrompidos, mas qualquer alteração precisa ser feita com orientação médica.
Os primeiros sinais de exaustão térmica incluem suor excessivo, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras e aceleração dos batimentos cardíacos. Nessa situação, a pessoa deve ser levada para um local fresco, ter o excesso de roupas removido e receber água, desde que esteja consciente e consiga engolir.
Confusão mental, convulsão, desmaio e temperatura corporal muito elevada podem indicar golpe de calor (hipertermia). O quadro é uma emergência médica e exige acionamento imediato do serviço de urgência. Enquanto o socorro não chega, recomenda-se iniciar o resfriamento com panos úmidos e frios. Não se deve oferecer líquidos a uma pessoa inconsciente.
Como reduzir os riscos
Para minimizar os impactos das condições climáticas extremas sobre a saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde recomendam:
Manter hidratação adequada, ingerindo água regularmente, mesmo na ausência de sede;
Evitar o consumo de bebidas alcoólicas, que podem favorecer a desidratação;
Utilizar roupas leves, confortáveis e de cores claras;
Manter os ambientes bem ventilados e, sempre que possível, climatizados;
Reduzir a realização de atividades físicas intensas nos períodos de maior calor;
Evitar a exposição direta ao sol, especialmente entre os horários de maior incidência solar;
Intensificar a atenção e o acompanhamento de grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com limitações de autonomia.
Além dessas medidas, é fundamental adotar práticas seguras de armazenamento e conservação dos alimentos, reforçar a eliminação de criadouros do mosquito da dengue (Aedes aegypti) e acompanhar regularmente os alertas meteorológicos e as orientações emitidas pelas autoridades de saúde.
Fonte: Rede Comunicação. Foto: Magnific.
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